Bases autoritárias do preconceito de raça e de classe e seus impactos na tomada de decisão de julgamento no Ceará: um estudo misto

Identifica-se a natureza autoritária da sociedade brasileira, desde sua fundação permeada por preconceitos e posicionamentos excludentes, numa cultura que desde os primeiros processos de socialização, nega a influência de marcadores, como raça, gênero e classe, no acesso a direitos e no tratamento institucional. Especificamente na justiça criminal, as disparidades na penalização podem ser compreendidas a partir da influência de variáveis legais, como gravidade do crime a histórico criminal do acusado, mas também, a partir de variáveis extralegais, como idade, raça e classe. Esses efeitos ocorrem para distintos atores jurídicos que, ao entrarem em contato com esses marcadores têm suas decisões influenciadas. Dentre esses, destaca-se o julgador, pois é o responsável pela decisão final do processo, sendo o ponto em que as interações entre esses marcadores convergem. Assim, a presente pesquisa busca analisar a influência do autoritarismo nas relações entre as discriminações de raça e de classe em decisões de julgamento em estudantes universitários no Ceará. Para tanto, optou-se por realizar um delineamento quantitativo. A primeira etapa consistirá em um estudo quantitativo quase-experimental com delineamento fatorial 2 x 2 utilizando cinco cenários; um deles sem manipulação experimental (controle) e quatro deles decorrentes do delineamento fatorial 2 (negro pobre e branco classe média) x 2 (vítima e agressor).  Os participantes responderão às escalas de racismo moderno, de preconceito de classe, de autoritarismo de Adorno, de autoritarismo de direita, de dominância social; e tomarão a decisão de sentença a partir de cenários de julgamento simulado. Na segunda etapa, será realizado um estudo qualitativo por meio de estudo de caso coletivo com entrevistas narrativas. Nessa etapa, serão selecionados 24 estudantes de direito que tenham participado do estudo 1, igualmente distribuídos entre homens e mulheres, para a realização de entrevistas guiadas por questionário semiestruturado referente a questões sócio raciais e de justiça na sociedade brasileira. Também será realizada uma análise de conteúdo do conteúdo das entrevistas na etapa qualitativa, utilizando o software de análises de dados qualitativos Atlas.ti.

INTERSECÇÕES ENTRE POBREZA E RAÇA: UMA APREENSÃO DE SENTIDOS EM UM TERREIRO DE UMBANDA, ACARAPE-CE

O presente projeto pesquisa pontua a importância de compreender os engendramentos históricos e conceituais das categorias de pobreza e raça, assim, entendendo suas relações e as implicações psicossociais que resultam entre o cruzamento das duas categorias mencionadas. Parte-se do pressuposto que tanto socialmente quanto no âmbito acadêmico ambas as categorias são entendidas de formas independentes, ou seja, uma sendo subrepresentação da outra. A perspectiva interseccional fornece subsídios para estabelecer a relação aqui apontada em contextos de terreiro de umbanda. Com isso, apresenta-se como objetivo geral, analisar as intersecções existentes entre os marcadores de pobreza, raça e religião como estratégias de resistência vivenciados por praticantes da Umbanda em Acarape- CE. Desse modo, apresenta-se a problemática em torno dos processos psicossociais de pobreza e raça atravessado pelo marcador de religião. A proposta metodológica baseia-se em uma abordagem qualitativa com viés compreensivo. Utilizam-se como técnicas a etnografia e os diários de campo através de visitas ao terreiro, além de grupos focais. Assim, partindo de uma Análise Crítica do Discurso, propõe-se analisar o material produzido no campo. Espera-se que a partir deste projeto possa-se contribuir para a visualização de grupos minoritários em situações de opressão na tentativa de apreender vivências em terreiros de umbanda de acordo com os marcadores de seus praticantes, havendo um compromisso ético político possibilitando que os excluídos e invisibilizados possam reconhecidos em suas trajetórias.